Na Bica, ninguém dorme durante os Santos Populares. Ou pelo menos, ninguém que não viva neste prédio. Encostado à colina de Lisboa e com o miradouro de Santa Catarina nas costas, por muitos anos acolheu caras desconhecidas, copos cheios e cigarros apagados. É um edifício popular, com origens modestas e apartamentos pequenos, mas com um trunfo impossível de ignorar: estar no centro de tudo. Cais do Sodré, Santa Catarina, Chiado, são alguns dos sítios que ficam a cinco minutos a pé. Quer a descer, quer a subir. E no meio de tanta festa, é um refúgio.
A sua reabilitação foi estrutural e total. Renovaram-se as fachadas, redesenharam-se os interiores, remodelaram-se as zonas comuns e infraestruturas. Adicionou-se um elevador para os moradores mais velhos, para as compras pesadas e a bagagem difícil de carregar. Entre T0 e T3, onde antes havia pó e barulho, há agora luz e silêncio. Com dez apartamentos que se estendem ao sol, aqui vive-se com outro conforto. Alto, antigo e simpático, com uma vista bonita, alma de bairro e telhado em festa, Cordoeiros mantém a identidade nos estendais, cafés de esquina e ruas estreitas que se enchem em junho. Não se leva a sério, mas sabe muito bem o que representa. E isso, em Lisboa, vale mais do que metros quadrados.

