Em Alfama, este é um dos edifícios mais altos da zona. Original do séc. XIX, com uma estrutura poderosa e azulejos originais, chegou ao séc. XXI como quem carrega o bairro às costas. Com loja, restaurante e doze apartamentos, com vista de cartão-postal, elétrico à porta e uma grande diversidade de moradores (desde a Dona Dolores e os seus periquitos até ao nómada digital italiano), era uma pena que continuasse com ar cansado. Assim, a sua reabilitação foi profunda: a fachada manteve-se, mas as caixilharias foram renovadas, os terraços criados e as entranhas mexidas, com tudo aquilo que o mundo de hoje exige. No meio disto tudo, foram-se gerindo os inquilinos, as obras e a paciência de todos. E no fim, a Dona Inês disse que valeu a pena o tormento.
São Vicente é uma espécie de novela alfacinha: muitos episódios com surpresas e personagens secundárias difíceis de esquecer. Agora, com o sol da tarde a bater-lhe de frente e uma nova vida por dentro, o edifício voltou a ser protagonista. Porém, sempre fiel ao seu ADN, sem querer parecer novo. Porque em Alfama o tempo não desaparece, acumula, com elegância.

